Frédéric Jouanlong (Pau, França) é, entre tantas outras coisas, ator, poeta sonoro e cantor (
Kourgane)
. O interesse que passei a ter em seu trabalho veio após a constatação da potência e da riqueza de sua performance vocal
Karawane.
FJ usa o famoso poema Dada do poeta alemão
Hugo Ball (1886-1927) como mola propulsora para corpografias e evoluções vocais (glossolalias, onomatopeias, línguas inventadas, improvisações) de sua própria autoria, feitas com o auxílio luxuoso de uma loopstation, como a que eu utilizo em minhas performances. O
link com o poema se estende no solo árido, no sol inclemente e no vento do deserto africano, em diálogos farpados que lembram a língua árabe e nos remete até mesmo a ecos inflamados de discursos ditatoriais.
Como em um videoclipe sem imagens, composto por sons e canções sem sentido aparente,
Karawane, de
FJ, tem sido (bem) falada por aí e me deixa feliz como a quem encontra mais um artista afim, que tem um trabalho muito semelhante às pesquisas que venho desenvolvendo em torno de línguas inventadas, glossolalias e protocanções (material, aliás, que comporá a minha nova performance e que apresentarei brevemente).
Aguardem.