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josé mindlin
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si|tos|cha
23 Fevereiro 2010
imagens II
O caminho, para quem não sabe: entre no meu site e clique em Fotos.
22 Fevereiro 2010
do sul e seus tabus
Acho muito engraçado isso tudo e não terei muita paciência para apresentar o meu ponto de vista sobre este assunto que, ao que me parece, trata-se de uma lengalenga antiga, e quem conhece o sul, ou já passou um tempo por aqui, sabe como essas coisas são.
Tomo a liberdade de reproduzir aqui o texto que gerou a polêmica, mas sugiro depois uma visitinha ao site de NL. Lá em seu blog, você poderá acompanhar as suas impressões sobre o ocorrido.
Não estou subestimando a inteligência de ninguém ao dizer que a música gaúcha torna-se intragável para um adolescente esclarecido. Estou é afirmando que as gerações do século 21 não irão compactuar com os preconceitos, esteriótipos e o regramento artístico do movimento tradicionalista. Alguém (mais esclarecido) dirá que é uma generalização equivocada, já que nem toda a música regional se submete ao perfil do MTG, e que ela abriga outros movimentos como o nativismo, a tchê music, projeção folclórica etc.
Está certo. Mas, cá entre nós, essas diferenças não são sempre cristalinas para o público. E se há de fato aqueles que refugam o modelo oficialista e conservador, pouco se escuta sua voz. Onde está essa contestação? No espaço mais visível da mídia, o que predomina é uma nebulosa monotemática, sempre pilchada a rigor e exaltando aquele Rio Grande que, sabe-se bem, nunca existiu. Sejam obras-primas e virtuoses, ou melodias e intérpretes canhestros, pouco importa: ficam todos cooptados por essa mitificação e perdem igualmente substância ao se enquadrar em tal moldura.
Usei a exata expressão “a música gaúcha torna-se” (e nunca “a música gaúcha é”) ao comentar meu desagrado por isso tudo que a envolve. Há uma sutileza gigante entre as duas formas, dentro da qual tentei ser gentil com colegas músicos, e muito duro com pretensos patrões da cultura.
Por óbvio, o gosto de cada um deve imperar na avaliação do que escuta, e isto aqui nem vem ao caso. Não estou recomendando que o gaúcho aprimore a sua técnica musical. Estou sugerindo que atualize a percepção de si mesmo. Que refine com a verdade, razão e autonomia a sua trajetória. Aqueles poucos que, adulterando a frase, se apressaram em amesquinhar o tema são os interessados de sempre em insuflar a defesa da “valorosa honra do Rio Grande”, e dela extrair audiência e patrocínio. Talvez esteja aí o melhor exemplo do que é realmente difícil de engolir.
Nei Lisboa
dica poesilha
E o poetamigo Bruno Brum está disponibilizando o download gratuito da Revista de Autofagia, nº3. No miolo, muita coisa boa, como sempre. Não perca tempo. Pegue já seu exemplar exemplar.20 Fevereiro 2010
dica poesilha

A primeira vez que soube de Claudia Schulz foi nas páginas do Diario de Santa Maria, em março do ano passado. Ela estava apresentando: "4° Seminário sobre a lista de compras do corpo", primeira performance da série de 3 ações intitulada "Dramaturgia da Carne", que seriam executadas ao longo do ano de 2009.
Claudia Schulz: " Em 4° Seminário sobre a lista de compras do corpo a rede de ações era composta por: imagens de partes de meu corpo pré-elaboradas projetadas em três telões, a minha presença física e a música executada pela banda Pele de Asno. As imagens pré-elaboradas tratavam-se de projeções de imagens da estrutura óssea do corpo humano em minha pele nua. Nessa primeira parte estavam presentes no espaço físico apenas a equipe técnica (operadores de som, luz, projeção e transmissão), a banda e eu. O público acompanhou a ação por meio da internet e também pode intervir com comentários através do chat disponível na página suporte da transmissão da ação."
Não pude conferir a ação, por conta de outros compromissos, mas fiquei atento.
A segunda ação, "coração", se deu em setembro:
"A segunda web performance, Coração, foi aberta ao público bem como transmitida pela Internet, também sendo possível acessar o chat. Essa segunda parte era composta pela seguinte rede de ações: uma nova composição musical elaborada e executada pela Pele de Asno; projeções distorcidas de um vídeo de batimentos cardíacos com flashs de imagens de neurônios no espaço da banda; um coração de boi suspenso; meu corpo nu, e a projeção de uma imagem de interferência cirúrgica na região do coração que, inicialmente, era projetada na parede e seqüencialmente em meu corpo."
Mais uma vez não pude conferir a ação. Mais uma vez por conta de compromissos. Só que meu interesse aumentara, dessa vez por conta de determinada pesquisas que vinha/venho fazendo e pela semelhança temática entre suas performances e o meu livro "carne viva".
Em novembro, CS surgiu com "Mapa Anatômico":
"Já em Mapa Anatômico, a ação que encerra a série, assim como a primeira foi somente transmitida pela internet. Em minhas costas a palavra DIGITE era o estupim inicial para que os interatores on-line escrevessem palavras ou frases no chat, que no decorrer eram (re)escritas por mim em meu corpo."
Mais informações sobre o trabalho dessa performer aqui, aqui e em breve, novas novidades aqui, nesta ilha.
18 Fevereiro 2010
17 Fevereiro 2010
imagens
Acesse meu site pessoal (na minha foto aí ao lado), clique em Fotos e confira os três primeiros álbuns de uma série de imagens que quero publicar (algumas há alguns anos, já) e ainda não tinha achado tempo para tal.
14 Fevereiro 2010
12 Fevereiro 2010
10 Fevereiro 2010
sobre livros e e-books

Quando publiquei meu primeiro e-book, há 9 anos, muita gente (muita gente mesmo) já o fazia. A discussão, então, era sobre a qualidade de um texto literário que dispensava editores, revisores e afins, para ser publicado. Pululavam PDFs pela rede e, realmente, a imensa maioria era de gosto duvidável.
Mas os e-books estavam aí. Só não via quem não queria ou tinha preguiça. Os e-books eram a versão digital do livrinho independente mimeografado ou xerocado vendido nas ruas e barzinhos.
Hoje é hype. Como se fosse novidade. Como se ler livros em preto e branco hoje em dia fosse o suficiente. Como se as pessoas só lessem best-sellers. E não, Paulo Coelho não foi um dos primeiros autores nacionais a publicar e disponibilizar e-books.
Quando ninguém ainda falava em leitores eletrônicos (pelo menos aqui no Brasil) como o Kindle, meu primeiro livro saiu pela editora virtual Hotbook e ficou no ar por um ano exatamente (como experimento) e o resultado foram 15 mil downloads (cravados).
Em 2006 escrevi um texto sobre o assunto. Publiquei no site Overmundo porque não consegui que ele fosse publicado em uma conhecida revista eletrônica. Nele, eu defendo a figura do livro em papel. Como fetiche. Como objeto de culto.
Não é um poema. É um texto já conhecido por quem acompanha o que venho fazendo. Para quem não conhece, aí vai:
Meu primeiro livro publicado foi um e-book.
Mas sei que a palavra de luz não apaga a palavra impressa.
Ontem faltou energia.
Acendi uma vela e peguei um livro.
Cheirei o livro antes de abri-lo. Abri ao acaso e cheirei.
Geralmente, quanto melhor o livro, melhor o papel.
Quanto melhor o papel, melhor o cheiro.
Quanto melhor o cheiro, maior o prazer que sinto.
O cheiro da luz não apaga o cheiro do papel.
Se faltasse luz num mundo sem livros impressos eu teria o que ler ontem?
Sem livros impressos onde eu guardo a flor que ela me deu?
Pilha no livro ou pilha de livros?
Delete ou dalata? Porque um amigo me disse: “Livro ruim dá bom cigarro”.
O gosto da luz não apaga o gosto do livro impresso.
Gosto de hablar com o livreiro.
Gosto de ler no banheiro.
Gosto de esperar o carteiro.
Os ácaros me adoram.
Os livros emboloram.
O livro é um organismo.
É bom ir à livraria. quase todo dia.
Pra quem tem fome de poesia,
prato cheio é página vazia.
O branco da luz não apaga o branco do papel.
Livro tátil. Livro tem lombada. Perfume.
Frente verso e miolo.
Fica em pé e deitado. Gordo magro leve pesado.
Livro vivo. Livro vive.
Palavra impressa ou palavra pressa?
O lume da luz não ilumina essa conversa.
09 Fevereiro 2010
dica poesilha/ trilha sonora do dia

05 Fevereiro 2010
04 Fevereiro 2010
obranome II em goiânia

03 Fevereiro 2010
caligrafia e livro novo
Nunca tive uma. Caligrafia própria. Meu gosto pelas possibilidades e a paixão herdada de meu avô sírio me fez querer todas. Caligrafias possíveis. Desde garoto. Isso confundia os professores, que nunca reconheciam as minhas várias letras nas provas e cadernos de redação. Trocava de letra como trocava de roupa. Isso me fez desenvolver as dezenas de pseudônimos, com dezenas de caligrafias diferentes, que riscava nas paredes da cidade. Quando queria ser grafiteiro. Acabei percebendo que o que eu pensava ser uma busca de identidade era, na verdade, uma das minhas potências.
Esse vigor eu trouxe naturalmente, anos mais tarde, para minha poesia. Com os poemas caligráficos. Gestosmaestros. Palavrarabescas. Letrasmilênios. A chance de transportar para o poema que se escreve a mesma emoção que se sente. Significâncias latentes. Performance por escrito. O ritmo dos rios do meu rito.
Está entre meus projetos uma plaquete de poesia caligráfica. Para ainda esse ano. Para quem quer e não quer saber. Para quem tem perguntado. Para quem sentir falta de poemas caligráficos no meu novo livro, que já está no forno.









