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31 Janeiro 2010

trilha sonora do dia

Lhasa de Sela - La Llorona

25 Janeiro 2010

sobre piva II

Ecos do Twitter confirmam que, realmente, a conta bancária de Roberto Piva é um bom meio de ajudar. Sendo assim, tomo a liberdade de divulgá-la aqui:

Itaú
agência 0036
cc 20592-0
cpf 565 802 828-00

Quem puder e quiser depositar algum para ajudá-lo, aí está.

cinema cego



Não tínhamos vídeo-cassete. Eu e meu irmão. E adorávamos cinema.

Éramos garotos ainda e não havia muito a se fazer em Brasília.

Se era bom, uma sessão era pouco. Chegamos a ver o mesmo filme 30 vezes. Até que saísse de cartaz. Mas quando isso não era possível, gravávamos.

Levávamos para o cinema uma mochila equipada com um 2 em 1 portátil e uma fita Basf de 120 minutos. E gravávamos o filme inteiro. Às vezes, da sala de projeção. De onde o som era mais nítido. Já em casa, dormíamos escutando a gravação e assistindo o filme com os olhos cerrados.

Fazíamos o mesmo com os filmes na tv. O gravador colado na saída de som do televisor. Eu sabia de cor os diálogos de vários. Isso impressionava os amigos da escola, que só tinham imagens na lembrança.

Bom mesmo era, ao conferir o resultado dessas gravações, escutar os tiros de Clint Eastwood mesclados ao som dos talheres da minha mãe na cozinha. Ou Elvis cantando com o auxílio luxuoso de um chuveiro.

Percebi que os sons da minha casa enriqueciam o som dos filmes de que gostava tanto. Era então um filme único, que ninguém mais ouveria. Apenas eu e meu irmão.

Essa brincadeira me levou a pesquisar sonoplastia na adolescência. E tentar locução nas rádios locais. E comprar discos de efeitos. E gravar paisagens sonoras (eu nem sabia que levavam esse nome) para meu solitário deleite à noite, no meu quarto.

E seguia fascinado pelo som dos filmes. Ouvindo aquelas gravações, eu podia refazê-los na ilha-de-edição da memória (waly).

Essa semana, navegando na internet, encontrei o arquivo sonoro do áudio de um dos filmes de Godard e relembrei do meu hábito de garoto.

Lembrei, visitando o site da poeta Joan La Barbara, que os sons emitidos pela criatura do filme Alien saíram da sua garganta e não de efeitos digitais.

Lembrei, ao ver o trailer do filme "Nine", que nunca gostei de musicais ("Singing in the Rain" é uma exceção), e revi "Asas do Desejo", de Wim Wenders, com os ouvidos. Um dos mais brilhantes áudios da história da 7ª arte. Dica: se você tem esse filme, grave e ouça com seu fone de ouvido, enquanto vai para o trabalho, enquanto faz suas compras no supermercado ou se tiver insônia.

Você vai lembrar que o silêncio quando bem acompanhado fala mais alto do que quando está só.

Assim como acontece com o branco da página entre os versos, o instante antes do óleo sobre a tela, ou aquela marca do biquíni dela.

23 Janeiro 2010

sobre piva

Após reler a biografia de Baudelaire nessa semana (um grande poeta fronteiriço), entro na Espelunca de Ademir Assunção e me deparo com a desagradável notícia.

Ainda em uma situação delicada (que não é de ontem, infelizmente), nosso grande poeta borderline Roberto Piva agora está necessitando ainda mais daquelas duas coisas básicas: saúde e grana.

O que nos mantém sãos. E dignamente produtivos.

Queria lembrar que em 2008 chegaram a ser divulgados seus dados bancários aqui. Mas é só uma dica. Ninguém me pediu que o fizesse, nem sei se ainda é um meio adequado para ajudar, hoje. Mas fica a sugestão, de stand by.

Leia aqui, no post de Ademir Assunção.

foto: © Mario Rui Feliciani




16 Janeiro 2010

obranome II - rj



Só agora descobri este vídeo que mostra a montagem da exposição OBRANOME II no Parque Lage, RJ, 2009. Nessa versão carioca, foram incluídas ótimas obras que não constaram da versão brasiliense, em 2008. Dá para constatar isso pelo vídeo, um ótimo registro para quem não pode comparecer a nenhuma delas.

E abaixo, disponibilizo, novamente, o vídeo de montagem da primeira versão da expo, realizada no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, durante a I Bienal Internacional de Poesia em Brasília - 2008. Para quem não viu.

15 Janeiro 2010

dica poesilha


Amanhã (16/01) às 20h, na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37), em Sampa, haverá o lançamento das plaquetes "si lence is", com poemas de cummings traduzidos pelo poetamigo Paulo de Toledo e "Letra Negra", do poetamigo Claudio Daniel. As plaquetes saem pelo selo Arqueria Editorial. Uma elegância só!

13 Janeiro 2010

letra do dia

"O problema fundamental em qualquer empreendimento artístico é a tendência a separar o artista de seu público e, então, tentar enviar uma mensagem de um a outro. Quando isso acontece, a arte se torna exibicionismo. Uma pessoa pode ter um tremendo lampejo de inspiração e correr para 'colocá-lo no papel' para impressionar ou excitar os outros, e um artista mais calculista pode ter uma estratégia para cada passo de seu trabalho, a fim de produzir certos efeitos em sua audiência. No entanto, independentemente das boas intenções ou da realização técnica dessas abordagens, elas inevitavelmente se tornam canhestras e agressivas em relação aos outros e a si mesmas."

Chögyam Trungpa

trilha sonora do dia

Lula Queiroga - Tem juízo mas não usa

07 Janeiro 2010

auto retrato

É interessante constatar, ao assistir a este ótimo documentário de 1986 sobre o poeta Arnaldo Antunes, que naquela época ele já falava no elogio à burrice como uma espécie de movimento espontâneo coletivo de “exorcismo” dos laivos acadêmicos. Pouca coisa mudou.

06 Janeiro 2010

braille (04.01.1809 - 06.01.1852)

'cicatriz' (scar), by marcelo sahea
poema visual
do livro Leve, 2006