postagens recentes

31 Maio 2009

tape


"Tape",

Poegif by Marcelo Sahea, 2007.

29 Maio 2009

letra do dia


... Investigar os limites da(s) escrita(s), quer dizer, pôr à prova as facetas icônicas e plásticas dos seus elementos constituintes, que desde início fora o meu território privilegiado de intervenção, atingir as áreas rarefeitas da plasticidade, ultrapassar se possível as suas fronteiras tradicionais, inclusive a questão dos códigos e das mensagens instituídas (ou institucionalizadas) foi o que me propus e proponho ainda fazer com as minhas pinturas verbais.

Como já expliquei no meu livro "Mapas da imaginação e da memória", comecei com uma investigação da escrita arcaica chinesa, interiorizando-a como gesto que se auto-conceitualiza - ou, como eu então disse, até a minha se tornar inteligente. Trabalhei até conceitualizar o gesto dessa escrita que eu repeti até descobrir o seu âmago. Depois transferi para a escrita ocidental essa aprendizagem e quando a atingi fiquei livre para utilizar ou não qualquer dos seus elementos constituintes, de uma forma prevista ou não nos códigos vigentes. Esse procedimento incluía, naturalmente, um risco, porque nem toda a experiência é necessariamente bem sucedida, mas para o experimentalista o processo, o percurso da experimentação, é já um valor em si.

... O próprio Lyotard* observou, e cito, que "o que está em causa hoje na linguagem artística é a experimentação. E experimentar significa, de certo modo, a solidão, o celibato. Mas por outro lado, quer dizer também que se o que é produzido for verdadeiramente forte, acabará por produzir os seus leitores, os seus contempladores, os seus auditores, o que quer dizer que a obra experimental vai ter como efeito uma situação pragmática que não existia".

O espírito experimental será, portanto, estimulado por uma esperançosa confiança numa receptividade desconhecida, essencialmente utópica. Será uma espécie de Teoria da Dificuldade, de Teoria de uma Exigência Absoluta, correspondendo a um projeto sem limite e sem compensação real, porque cada descoberta aponta sempre para uma outra possível, para uma demanda infinita. É aí que se instala o reino da utopia.
*Jean-François Lyotard

Ana Hatherly em A arte de tomar posse do mundo

25 Maio 2009

post a um poeta jovem

Desculpe, mas, fazer poesia hoje é mais difícil. que antes. Por isso há poetantos.

Querem transformar a poesia em oráculo. Há muito Eu, nela.

O poeta, hoje, deve buscar outros alvos, se quiser acertar.

Um poeta deve se interessar pelo mundo, por tudo à sua volta. Sair do próprio corpo. Transcender o próprio umbigo. Sair do chão. Afogar Narciso (como quer Lobão).

Um poeta deve ser um não-especializado. Ir no ventre do vento. Cortar o cordão. Fugir do Panteão. Pra variar.

Quanto mais você se afasta da poesia, mais poesia você faz.

É preciso se agarrar à poesia, fugindo dela. Tudo é matéria para. O homem, essa geléia de dúvidas, também, sem dúvida. Mas, como sempre digo, cansa quando não se alcança. Pergunte à criança.

Talvez o homem não more mais na poesia. A internet está fazendo esse papel. Quer falar de si? Abra um blog, um Twitter, um Orkut, ponha fotos na rede.

Eu, faço e seguirei fazendo poesia sempre porque, falar, todo mundo fala. Eu quero é dizer alguma coisa.

E tenho dito.

24 Maio 2009

barbara & blonk


Joan La Barbara
e Jaap Blonk (2003)

23 Maio 2009

outro



"Outro",
Poegif by Marcelo Sahea, 2007.

22 Maio 2009

zé rodrix (1947/2009)

Desde menino, canto suas canções. Eu que sempre acompanhei de longeperto seu trabalho. Eu que sentia falta de ouvê-lo por aí (porque não me bastava ouvê-lo nos jingles publicitários). Eu que ainda ontem cantei baixinho dentro do ônibus a canção que ele divide com Carlos Careqa no seu novo cd (recém-lançado). Eu que me ressinto de ainda não ter conhecido seus livros. Eu que respeito, sempre respeitei e, como admirador de sua obra, sinto-me órfão do que poderia vir. Mando um salve! para ele. Salve, Zé.


Por Amor (Zé Rodrix-Reynaldo Bessa)

19 Maio 2009

coração



Mais um fragmento de Pletórax em BH. Sempre me apresento ao lado de um ou mais músicos. Aqui, o músico Makely Ka me acompanha no poema coração (do livro carne viva).

17 Maio 2009

sua voz



Fragmento da performance poética Pletórax, realizada no Oi Futuro de Belo Horizonte em março deste ano. O áudio, captado pelo microfone da câmera, não está muito bom. Mas tem uma legendinha pra ajudar.

16 Maio 2009

miranda july


11 Maio 2009

letra do dia

"O que nós temos no Brasil, hoje, é isso: o fechamento da fábrica de Cartolas e Rimbauds."

Assista à bela matéria feita com o poetamigo Marcelo Ariel no programa Entrelinhas, da Tv Cultura, ontem.

09 Maio 2009

henri chopin



Henri Chopin
em performance no Poesiefestival, em Berlim (2003)

08 Maio 2009

foyeur poesilha

Marcio Shimabukuro
“Zone of Comfort / Zone of Confront NL01”

06 Maio 2009

letra do dia

"A voz não tem espelho"
Paul Zumthor

05 Maio 2009

mario quintana

Foto Dulce Helfer
O grilo procura
no escuro
o mais puro diamante perdido.

O grilo
com as suas frágeis britadeiras de vidro
perfura

as implacáveis solidões noturnas.

E se o que tanto busca só existe
em tua limpida loucura

-que importa?-

isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!

01 Maio 2009

bate-papo


Aqui, neste bate-papo realizado após a minha apresentação no Oi Futuro em BH, entre outros assuntos, falo sobre um poema inédito (que fará parte do meu próximo livro) e que venho testando no palco.